Desde muito tempo atrás que sinto meu coração bate fora do corpo.
Sinto que ele vaga por lugares frios e escuros, e que precisa de luz para poder sobreviver ao tempo que é tão cruel e ligeiro.
Eu não sei se posso aguentar mais alguns anos sem poder saber se é realmente ele que precisa de mim ou se eu terei que aprender a sobreviver sem ele. É como se um buraco dentro de mim fosse abrindo lentamente ao passar dos dias, e vai corroendo toda a minha esperança e sucumbindo a minha alma.
Ao escrever agora, vejo na escuridão do meu quarto os clarões de trovões e relâmpagos atravessarem a minha janela iluminando a minha solidão, mas eu não vejo sinal de chuva para poder esconder minhas lágrimas através dela. Olho pela janela, e vejo as luzes se apagando e a cidade adormecendo, e permaneço ali em contemplação e entristecimento ao pensar que você pode estar em qualquer lugar agora, carregando o meu coração consigo, sem o menor dó de mim, e o pior, sem nem saber o que roubaste de mim.
Rogo aos céus que me dê um sinal de esperança até poder encontrar a verdadeira razão de sentir essa dor complicada que dilacera e que me empurra para a solidão.
Espero que um dia eu chegue lá, não sei quando nem como, mas eu percorria o mundo até achar a verdadeira razão para continuar a te amar ou simplesmente me conformar e deixar o tempo te levar para longe de mim.
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